Eu imagino, às vezes, por um milésimo de segundo, que você sente a mesma coisa que eu.
Imagino que o que você fala ou faz também é uma forma de chamar minha atenção, igual tudo que eu falo ou faço também é uma forma de tentar chamar a sua.
Por um segundo, eu penso que estamos errando tentando acertar — por isso não deu "certo" até hoje.
Imagino que você passa o dia todo esperando dar 20h pra perguntar se eu vou à academia, igual eu fico o dia todo esperando dar 20h pra você me perguntar se eu vou à academia.
Mas aí eu volto pro mundo real — onde é um milagre que você ainda me espere pra ir malhar e me chame para dizer qualquer coisa. Neste mundo, o nosso "quase" está tão frágil que falta muito pouco pra desaparecer, e virararmos meros "bom dia" e "boa tarde" no elevador.
Quando isso acontecer, vai sobrar eu, aqui embaixo, te escutando viver e tentando adivinhar o que você está fazendo aí em cima.
Ah, hoje é seu aniversário,
e eu não vou te dar parabéns,
preciso transformar "nosso quase" em nada.

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