Eu terminei seis anos de relacionamento com um cara que preenchia quase todos os meus checkboxes. Uma coisa — a falta de ambição dele — me fez deixar seis anos de bons momentos, carinhos e amor para trás.
E não foi por falta de tentar. Minha consciência queria muito aproveitar novamente a companhia dele, ficar feliz em vê-lo cozinhar nossa comida, conseguir dormir abraçada, rir de novo das coisas que ele falava, querer estar perto o tempo todo a ponto de conversar pela janela do banheiro que dava para a área de serviço, enquanto um de nós tomávamos banho.
Mas meu subconsciente não me permitia. Ele me forçava a fazer tudo ao contrário: reconhecer o quanto ele era carinhoso, mas não retribuir; fugir dos abraços dele antes de dormir, ou dormir antes para não ter que abraçar; fugir da conversa, achar defeito na comida, dentre tantas outras coisas tóxicas que eu fiz.
E, após fazer cada uma dessas coisas, me arrepender amargamente — doloridamente — de tê-las feito.
Eu começo um relacionamento sabendo que ele vai ter fim.
Fico todo ele tentando mensurar o quanto falta pra terminar, quanto tempo falta até eu não aguentar mais e ter que passar pelo longo período de término que acontece na minha cabeça.
Tenho dito na terapia que não acredito que seja possível ser feliz em um relacionamento — que não seja possível duas pessoas viverem felizes em um relacionamento.
Eu genuinamente não acredito — nunca acreditei.
Sim, tem toda aquela história de trauma familiar e blá-blá-blá.
Mas também tem o fato de que esse lugar de não acreditar tira toda — ou quase toda — a frustração de tentar e não conseguir.
Porque eu sei que não vou conseguir.
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