24/10/2025

Câmera lenta

Ontem bebi uma taça de vinho e já comecei a ver tudo em câmera lenta.

Olhei pro lado — e estava você.
Pensei comigo: “preciso guardar isso na minha cabeça” — e comecei a gravar.

Você sorrindo e seu olho quase sumindo, em câmera lenta.
Seu pescoço ficando cada vez mais vermelho por causa da cerveja.
Seu cabelo começando a crescer de novo ali na nuca — eu prefiro assim.

Eu consigo ver lentamente tudo de novo: seu pescoço, seu ombro (seu ombro!!!), a blusa verde bem colada.
Você segurando a garrafa de cerveja, bebendo — e depois abrindo um sorriso, com os dentes e com os olhos.

Você, que quase nunca fica sério — e quando fica, levanta a sobrancelha, fazendo parecer que o que eu digo é a coisa mais interessante do mundo.
Só que depois esquece completamente tudo o que eu falei.
Esquece de mim.

Esquece que eu fiquei te olhando fixamente por muitos segundos, gravando na minha cabeça milimetricamente cada expressão sua.


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